O xamanismo é a forma de espiritualidade e medicina mais antiga da humanidade, com origens que remontam ao período Paleolítico (há mais de 30 mil anos). Não é uma religião organizada, não possui livros sagrados e nem templos de pedra. Trata-se de um conjunto de práticas ancestrais baseadas na conexão direta com a natureza e com o mundo invisível.
Embora a palavra tenha origem na Sibéria do povo Tungus, onde shaman significa
"aquele que enxerga no escuro" ou "inspirado pelos
espíritos", práticas xamânicas idênticas foram desenvolvidas de forma
independente por povos indígenas nas Américas, África, Ásia e Austrália.
Nas origens mais remotas da história humana, o xamanismo primitivo
estabeleceu a primeira conexão consciente com a vida planetária e cósmica,
baseando-se na certeza de que toda a matéria do universo está interconectada e
que não há uma separação rígida entre o mundo físico e o espiritual, ou seja, o
ser humano é parte de uma teia viva onde tudo possui vida interior tanto acima, como ao redor e dentro.
Hoje, uma mente dotada de senso crítico e validação científica não precisa de misticismo para enxergar o óbvio: todos viemos de um grande evento cósmico, o Big Bang, e somos feitos da poeira de estrelas e dependemos do equilíbrio sistêmico do universo e do planeta para existir.
E sim, para quem compreende a interconexão entre todas as coisas, ser conectado com as forças cósmicas e da natureza, é uma condição cotidiana natural. E igualmente natural é reverenciar toda essa arquitetura interconectada, potente e de uma grandeza que requer conceitos ou palavras para ser explicada com todas as letras.
Ninguém sabe na verdade de onde
surgiu tamanha grandeza e geralmente usamos termos como Criador ou Deus,
entidades que estamos muito distantes de realmente saber o que é.
Na minha percepção, se há tal coisa, ela é boa e ruim como tudo o mais, porque o universo foi criado de uma enorme explosão, com aquecimentos e resfriamentos inimagináveis, destruições e reconstruções, até haver um equilíbrio entre estrelas, planetas, forças gravitacionais e campos eletromagnéticos. E aqui no planeta Terra não é diferente, pois a vida se alimenta da vida desde os micro organismos até o topo da cadeia alimentar.
Então o que estamos fazendo aqui?
Pelo que me consta, aqui na Terra,
somos os únicos seres viventes que podem escolher entre o bem e o mal, ou seja,
entre o que promove o respeito, o bem-estar, o amor, o desenvolvimento das
potencialidades de cada um e da vida como um todo.
O desenvolvimento dessa visão sistêmica e afiada gera um efeito colateral inevitável: a baixa tolerância à mediocridade coletiva.
O despertar da lucidez cobra o seu preço na moeda da solidão. O desafio do indivíduo consciente é transmutar o isolamento em solitude criativa, utilizando a escrita, o pensamento crítico e a alegria intrínseca de seu próprio mundo interno como escudos para proteger o próprio ânimo diante de tanta falta de coerência, inconsistência e ruídos do mundo, onde de modo geral as pessoas vão na contra-mão da vida.







