domingo, 27 de setembro de 2026

A Anatomia da Teimosia: O Esforço Humano para Continuar Sofrendo




Se fôssemos resumir a história humana em uma única força motriz, muitos diriam que é o amor, a busca pela liberdade ou pelo progresso.  Mas, se olharmos de perto para as nossas estruturas sociais, para a nossa política e, principalmente, para o divã dos nossos consultórios, descobriremos que a força mais consistente, resiliente e subestimada da humanidade é, na verdade, a teimosia.

A teimosia não é apenas um traço de personalidade rabugento; ela é um mecanismo de defesa existencial. Nós somos a única espécie no planeta Terra capaz de criar a própria gaiola, trancar a porta por dentro, engolir a chave e passar o resto da vida reclamando de falta de ar. É o que eu chamo de o esforço hercúleo para continuar sofrendo. 

Como socióloga, eu vejo a teimosia operando em macroescala. Ela está institucionalizada nas estruturas de poder, desenhada nas bancadas fisiológicas do Congresso, nos altos escalões, na correlação entre religião e poder político e instituições de modo geral. É a teimosia cega de um sistema que prefere o ganho imediato da exploração predatória à sobrevivência do próprio ser humano. 

É o negacionismo climático e a truculência moral servindo de escudo para não encarar o óbvio: estamos cavando o nosso próprio apocalipse coletivo por pura mediocridade e conveniência econômica. Nosso planeta está ferido, porém já passou por aniquilações, como nas eras glaciais, na época dos dinossauros, mas lentamente se recuperou, se reinventou. Já o ser humano não agüenta este tranco. É frágil, não sobrevive! 

A sociedade teima em repetir receitas falidas de opressão e destruição, esperando de forma delirante, que isso possa trazer algum bom resultado. 

Como psicoterapeuta, eu vejo essa mesma engrenagem operando na microescala do indivíduo. Várias vezes a teimosia chega ao meu consultório quando o paciente está “mais morto do que vivo", estraçalhado pelos trancos que levou, mas quando começo a ouvir e a puxar o fio da meada daquela dor, o que encontro sob o escombro? Uma armadura rígida, uma persona engessada por dogmas, preconceitos, um apego neurótico às aparências e que quer sim, continuar achando o que quer e não o que é!

E como terapeuta holística, o que me impressiona é o desperdício energético deste processo. Manter as máscaras, sustentar cascas morais vazias e lutar contra o fluxo natural da vida exige uma energia vital e psíquica absurda! O teimoso gasta mais força para se manter doente e protegido em seu território conhecido do que gastaria para se libertar. O ego humano prefere a falência emocional no território do controle do que a cura na vulnerabilidade do desconhecido e da renovação. Muitos preferem ter razão do que ter paz.

Mas por que tantas pessoas são assim?

Porque a mudança exige o que a maioria tem pavor de bancar, ou pior ainda, não quer ver porque está pouco se lixando. Quer resolver aquela questão pontual para logo depois levar outro tombo mais adiante! Isto não resolve nada! É preciso reconhecer os defeitos, distorções de percepção e de sentimentos, que é o que leva ao que não favorece.  Isto exige escolher o bem, a verdade, a empatia, o respeito e maturidade para lidar com as frustrações, se transformar e investir no que realmente interessa.

Por isso, o papel de quem trabalha com a evolução da consciência não é o da complacência. Às vezes, o maior ato de amor terapêutico não é acender um incenso ou passar a mão na cabeça; é perder a paciência. É dar a bronca necessária, criar o vácuo da surpresa e dizer sem filtro: "Olha só, esse seu comportamento está infernizando a sua vida, está infernizando quem está ao seu redor e acabou de me infernizar também! Como você quer que a sua vida mude se você não muda?"

A integridade, a verdade, a ética e a empatia não são difíceis. Elas são simples, são óbvias e são as únicas coisas que proporcionam paz e inteireza verdadeira.

Já que viver dá trabalho, que o nosso esforço seja direcionado por uma boa causa: o refinamento do que é verdadeiramente bom. Que tenhamos a coragem de quebrar as nossas próprias cascas rígidas antes que a vida o faça de forma violenta. Que deixemos de ser o contrapeso do progresso para nos tornarmos o contrapeso da lucidez.

E que fique claro: ser bom não significa ser trouxa. A verdadeira bondade tem olhos abertos, impõe limites firmes e é boa de briga quando o assunto é proteger a própria consciência. É ter discernimento para não se contaminar com boçalidade do mundo.

Sigam-me os bons!

Abraços terapêuticos!

domingo, 20 de setembro de 2026

A Realidade sobre o Perdão, o Mito da Cura Total e a Margarina

 

A palavra grega para perdão, “aphiemi”, frequentemente usada no Novo Testamento, significa “enviar para longe”, “deixar ir”, “liberar”.  

Psicologicamente é um processo emocional que envolve o reconhecimento e a liberação da dor, raiva e ressentimento causados, independentemente da reação do outro.

Este processo é fundamental para romper com o ciclo de dor emocional e seguir em frente sem carregar os sentimentos negativos que a situação deixou.

Isto não ocorre de uma vez. É um processo de ir soltando aos poucos a dor da ferida e ir regenerando os corpos físico e sutis através de auxílio terapêutico, onde a medicina vibracional também cumpre um papel de grande valia. 

Perdoar não significa esquecer o que aconteceu e nem fingir que não houve dano, mas sim mudar a forma como se lida com aquilo, optando por não deixar que a dor e a raiva continuem a dominar e controlar os pensamentos, emoções e reações diante de novas experiências.

Se você já passou por uma dor profunda, daquelas que quebram a confiança e reviram a vida do avesso, provavelmente já esbarrou no discurso da "cura total" e de que “o perdão é libertador”. Esta é uma ideia romântica de que, se você trabalhar bem as suas emoções, chorar o que tem que chorar e liberar o perdão, um dia acordará leve, pleno e flutuando.

Eu tenho uma notícia para te dar: a vida real não tem trilha sonora de violino, e o comercial de margarina é uma mentira.

A ideia de que é possível se libertar 100% de algumas dores, e de zerar sentimentos como um pouco de repulsa, perplexidade de um certo desconsolo e é uma ilusão que a própria experiência humana desmente.

Existem atos tão graves e absurdos que quebram pactos de confiança de forma tão violenta, que a mente humana simplesmente não possui ferramentas para "digerir" por completo. 

O que você sente faz total sentido pelas seguintes razões: 

1. A repulsa é um mecanismo de defesa biológico e emocional

A repulsa não é um defeito; é uma proteção. Assim como sentimos nojo de uma comida estragada para não nos envenenarmos, sentimos repulsa pelas ações (e pela proximidade) de quem nos causou um dano profundo. Esse sentimento serve para manter você longe do perigo e garantir que você nunca mais baixe a guarda perto daquela pessoa ou de dinâmicas parecidas.  

2. A perplexidade é uma resposta à quebra de lógica

Quando alguém age com crueldade, egoísmo extremo ou deslealdade, sua mente tenta encontrar um nexo causal ou uma justificativa humana que simplesmente não existe. Este "pingo de perplexidade" permanente é, na verdade, o seu senso moral saudável dizendo: "Eu não consigo e não quero normalizar isso". É um sinal de que seus valores continuam intactos.

3. O desconsolo é o luto pelo que foi quebrado

Certas ações destroem coisas que não podem ser reconstruídas: a inocência, a confiança cega, a projeção de um futuro seguro ou a imagem que tínhamos de alguém. O desconsolo é o eco desse luto. Aceitar que esse eco existe é muito mais realista do que tentar forçar uma positividade artificial. 

Sendo assim, é preciso cair na real e desmistificar a ideia de que o processo de superação termina com um final feliz e entender que: 

“A Cura Total de Comercial de Margarina” e o “Perdão Total” não existem na nossa condição humana. 

A verdade nua e crua é que o processo de superação não termina sem deixar rastros. Muitas vezes, o que sobra é uma ressaca emocional esquisita. Um resíduo indefinido que vira e mexe volta para te visitar. Esse resíduo não é uma falha, é um sentimento real, uma percepção quase física no peito que fica para sempre no coração. 

Por isso que, mesmo muito tempo depois de a tempestade passar, da raiva ter sido liberada e do choro ter secado, você olha para dentro e ainda sente um pingo de perplexidade,  uma repulsa e uma tristezinha silenciosa pelo que foi feito e que aparece do nada acompanhada de um sincero: "Mas que porre!". 

O ganho real: Hoje você tem mais clareza, autonomia e uma força que ninguém te tira. Você não tem saudade da ingenuidade do passado. Essa cicatriz emocional faz parte da sua história, da sua bagagem e é a prova de que você passou por algo absurdo e sobreviveu. 

Se você lidou com a parte mais barulhenta, dolorosa e exaustiva do processo, mas sobrou esse resíduo que simplesmente não dissolve, reconheça o esgotamento do assunto, ajuste as alças da mochila, fortaleça a sua musculatura e continue caminhando. Com o tempo, a pedra não fica mais leve, mas você fica mais forte, e o peso dela deixa de ser a única coisa em que você pensa enquanto caminha.

Se hoje você é uma pessoa mais madura, se tem mais clareza sobre o mundo e desenvolveu mais autonomia emocional, essas conquistas são exclusivamente suas, e não um agradecimento pelo mal que te causaram. Você aprendeu porque foi resiliente e foi juntando os pedaços no decorrer do seu caminho.

"O imposto espiritual" que fica, essa ressaca, não significa que você regrediu, que não superou ou que está alimentando o passado. Isso é apenas ter uma memória, um registro difícil na sua biografia. 

A cura não significa que a dor nunca existiu, mas sim que ela não te domina mais. 

A verdade sobre o perdão é que ele funciona como um processo de desinfecção emocional, a remoção do veneno da ferida e não uma amnésia do ocorrido. Trata-se de uma decisão de preservação para minimizar o máximo possível o ciclo da dor e do rancor, permitindo a convivência com as cicatrizes do passado sem que a dor continue a ditar o presente. 

Isto não absolve o agressor e nem resolve esse ranço. A autonomia conquistada e a sensibilidade no peito coexistem. Você aprendeu, amadureceu, tem uma vida mais funcional, protegida e melhor no presente, e ainda assim sente aquela cicatriz feia e pensa: 

"Que fim da picada... mas que bom que eu saí de lá!".

sábado, 22 de agosto de 2026

Universo a Teia Viva e o Preço da Lucidez

 

O xamanismo é a forma de espiritualidade e medicina mais antiga da humanidade, com origens que remontam ao período Paleolítico (há mais de 30 mil anos). Não é uma religião organizada, não possui livros sagrados e nem templos de pedra. Trata-se de um conjunto de práticas ancestrais baseadas na conexão direta com a natureza e com o mundo invisível.

Embora a palavra tenha origem na Sibéria do povo Tungus, onde shaman significa "aquele que enxerga no escuro" ou "inspirado pelos espíritos", práticas xamânicas idênticas foram desenvolvidas de forma independente por povos indígenas nas Américas, África, Ásia e Austrália.

Nas origens mais remotas da história humana, o xamanismo primitivo estabeleceu a primeira conexão consciente com a vida planetária e cósmica, baseando-se na certeza de que toda a matéria do universo está interconectada e que não há uma separação rígida entre o mundo físico e o espiritual, ou seja, o ser humano é parte de uma teia viva onde tudo possui vida interior tanto acima, como ao redor e dentro.

Hoje, uma mente dotada de senso crítico e validação científica não precisa de misticismo para enxergar o óbvio: todos viemos de um grande evento cósmico, o Big Bang, e somos feitos da poeira de estrelas e dependemos do equilíbrio sistêmico do universo e do planeta para existir. 

E sim, para quem compreende a interconexão entre todas as coisas, ser conectado com as forças cósmicas e da natureza, é uma condição cotidiana natural. E igualmente natural é reverenciar toda essa arquitetura interconectada, potente e de uma grandeza que requer conceitos ou palavras para ser explicada com todas as letras. 

Ninguém sabe na verdade de onde surgiu tamanha grandeza e geralmente usamos termos como Criador ou Deus, entidades que estamos muito distantes de realmente saber o que é.

Na minha percepção, se há tal coisa, ela é boa e ruim como tudo o mais, porque o universo foi criado de uma enorme explosão, com aquecimentos e resfriamentos inimagináveis, destruições e reconstruções, até haver um equilíbrio entre estrelas, planetas, forças gravitacionais e campos eletromagnéticos. E aqui no planeta Terra não é diferente, pois a vida se alimenta da vida desde os micro organismos até o topo da cadeia alimentar. 

Então o que estamos fazendo aqui? 

Pelo que me consta, aqui na Terra, somos os únicos seres viventes que podem escolher entre o bem e o mal, ou seja, entre o que promove o respeito, o bem-estar, o amor, o desenvolvimento das potencialidades de cada um e da vida como um todo, ou não.

O desenvolvimento dessa visão sistêmica e afiada gera um efeito colateral inevitável: a baixa tolerância à mediocridade coletiva.

O despertar da lucidez cobra o seu preço na moeda da solidão. O desafio do indivíduo consciente é transmutar o isolamento em solitude criativa, utilizando a escrita, o pensamento crítico, recorrendo à boa música, à arte de modo geral, e também, à alegria intrínseca de seu próprio mundo interno, como escudos para proteger o próprio ânimo diante de tanta falta de coerência, inconsistência e ruídos do mundo, onde de modo geral as pessoas vão na contra-mão da vida.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

A Diferença Entre o Eterno e o Passageiro

 


Não há realidades eternas e nem verdades absolutas.

 A evolução da compreensão e do conhecimento científico, social, psicológico e espiritual está sempre em movimento ascendente quando estamos verdadeiramente abertos para novas percepções da realidade em qualquer aspecto da existência. Só estamos realmente vivos quando estamos aprendendo e nos transformando.

Entretanto, nascemos em diferentes contextos, culturas e condições sociais que se perpetuam há milênios, e nossas crenças e comportamentos são pelo menos em parte moldados por estas referências que estão profundamente enraizadas no nosso ser.

Esta é uma questão central na evolução humana. Ficar apegado a modelos, comportamentos e sentimentos que até certo ponto fizeram sentido e proporcionaram estrutura e segurança, mas que precisam ser reavaliados e transformados na medida em que novas experiências vão surgindo e propondo novas percepções, aprendizados e sentimentos sobre os outros, o mundo e sobre nós mesmos.

O ideal é que estejamos sempre abertos para aprender e nos transformar para nosso próprio bem e para o bem de todos.  Isso agrega mais compreensão, clareza, conhecimento e maturidade.

A vida é movimento. Precisamos entender e aceitar que não há verdades eternas e absolutas e que, o que a vida realmente nos propõe é uma renovação constante, através do movimento contínuo de experiências, desafios e de momentos de bem-estar, cuja proposta é sempre o aprendizado para a renovação, o desenvolvimento de novas habilidades,  novas abordagens, transformações de conceitos e preconceitos, de medos, dores, para irmos para a frente.Caso contrário ficamos estagnados, repetindo erros, ficamos em círculos viciosos que só desgastam e atrasam nossa vida.

 Então o que é eterno?

 O que é eterno é a Ética, a Verdade, o Respeito, o Amor, a Coragem, a Dignidade, o Equilíbrio e a Justiça  para consigo mesmo e para com os outros. Com estas referências fica muito claro que, o que não é bom para mim, não é bom para ninguém.

Estes princípios universais são implacáveis e cedo ou tarde, as conseqüências por desrespeitá-los se apresentam, não porque há um Deus que pune ou qualquer coisa que o valha, mas sim porque o que não segue os princípios fundamentais da vida não funciona, não dá certo, gera doenças, aflições, sofrimentos e morte.

Tudo o que fazemos gera uma reação, tem consequências, seja para o bem ou para o mal. Simples assim!

A evolução da consciência é eterna para quem está relamente vivo!

Vem comigo!



quarta-feira, 22 de abril de 2026

Como Me Libertar da Baixa Autoestima



A baixa autoestima é a dificuldade de enxergar o próprio valor gerando uma autoimagem negativa, insegurança e autocrítica excessiva. Geralmente não tem uma causa única e pode ser o resultado de uma combinação de fatores vividos ao longo da vida que moldam a percepção que temos de nós mesmos.

Identificar os sinais é o primeiro passo para a mudança: 

- Autocrítica excessiva: diálogos mentais negativos constantes.

- Medo da rejeição: dificuldade em dizer "não" ou impor limites por medo de perder a aprovação alheia.

- Insegurança: falta de confiança nas próprias capacidades e medo de enfrentar desafios.

- Hábito de comparação: sentir-se inferior aos outros seja pela aparência, status, talentos, e por aí vai.

- Perfeccionismo: um idealismo irrealista de como as coisas ou você tem que ser. 

A baixa autoestima pode ser causada por fatores externos, por características da própria pessoa ou por uma mistura desses dois fatores:

- Experiências de Infância: crescer ou conviver em ambientes onde há julgamento constante e pouca valorização dificulta a construção de uma autoimagem positiva. 

- Bullying e rejeição na escola na infância e adolescência, molda uma visão negativa de si mesmo. 

- Traumas e abusos físicos, emocionais ou sexuais podem causar sentimentos profundos de vergonha e desvalorização. 

- Relações tóxicas que diminuem suas qualidades e maximizam seus defeitos.  

- Comparação social através das redes sociais, escola, ambiente de trabalho e mesmo na família.  A "vitrine" dos outros... 

- Ser excessivamente exigente consigo mesmo e ter dificuldade em aceitar erros como parte do aprendizado. 

- O hábito de se comparar com os outros em diferentes aspectos tais como: aparência, recursos financeiros, inteligência,  talentos, projeção social e por aí vai. Ou seja, a vida maravilhosa e perfeita dos outros... 

- Necessidade excessiva de aprovação que faz com que a pessoa dependa da validação externa para se sentir bem. 

Melhorar a autoestima é um processo gradual que pode depender de vários fatores:

- Tratar dores e traumas emocionais que levaram a esses sentimentos negativos sobre si mesmo.

- Reavaliação de valores o que implica num aprofundamento do que realmente tem importância na vida e do que não é tão importante assim.

 - Trabalhar no autoconhecimento para reconhecer as próprias qualidades e potenciais. 

- Substituir os pensamentos idealizados por algo mais neutro e realista. 

- Estabelecer limites porque validar nosso bem-estar é um ato de autorespeito. 

- Cuidar do corpo praticando uma atividade não apenas pela aparência. Isso aumenta a sensação de competência e libera endorfinas que melhoram o humor. 

- Tirar o peso da perfeição das costas. Quando algo der errado, em vez de se punir, pergunte-se: "O que posso aprender com isso para me sair melhor da próxima vez?" 

- Ajuda profissional pode ser fundamental para tratar as causas profundas e hábitos arraigados para romper ciclos. 

O fundamental é se libertar do “eu ideal” e tratar as dores, minimizar limitações e investir nos seus potenciais. A realidade é que nem tudo é o que parece.  Todos nós temos problemas, defeitos e qualidades. O que interessa é o que fazemos com isso.

Como dizia Nelson Mandela: “Eu nunca perco. Ou eu ganho ou eu aprendo!”

Vem comigo!

terça-feira, 7 de abril de 2026

A Ovelha Negra da Família

 


"Ovelha negra" é uma expressão que descreve um membro de um grupo, geralmente da família que destoa e não se encaixa nos padrões, tem má reputação e que se diferencia por desagradar ou chocar.

A origem dessa expressão vem de milênios. Na antiguidade, os animais pretos eram considerados maléficos e, por isso, sacrificados em oferenda aos deuses ou para acertar acordos.

Eu particularmente acredito que isso decorre do fato de que por milênios, a noite sempre foi muito atemorizante porque trazia muitos perigos seja por causa de animais ou por causa de ataques de outros grupos tornando as pessoas muito vulneráveis porque a escuridão era muito ameaçadora como de fato ainda é até hoje.

As “ovelhas negras da família” são as pessoas que não se adaptam, são rebeldes, mais autênticas e independentes.

Jung via a ovelha negra como o "sistema imunológico" do clã, da árvore genealógica. Ela é o membro da família que é mais perceptivo, autêntico e preparado e que por isso, denuncia as disfuncionalidades, segredos e hipocrisias que o resto da família tenta esconder no inconsciente familiar.

Considerando a reencarnação, a ovelha negra é a alma da árvore genealógica que tem recursos para quebrar padrões negativos que atravessam séculos na história familiar. Ela encarna para quebrar ciclos tóxicos, agindo com autenticidade e coragem. Essa pessoa é desbravadora, desafia regras rígidas e impõe limites saudáveis.

A dor de ser a ovelha negra da família é diferente para cada um, mas essas pessoas têm que lidar desde cedo com a experiência de ser rejeitado, criticado e incompreendido por serem diferentes e não seguir os padrões.

Essas pessoas são incumbidas de transformar e liberar incontáveis desejos reprimidos, sonhos não realizados e talentos frustrados por medo, ignorância, preconceito e orgulho. Elas expõem essas condições através de suas escolhas, atitudes e de suas consciências mais evoluídas. E suas frequências vibracionais transmutam e purificam pelo menos em parte essas negatividades. Em vez de serem o problema, elas confrontam o inconsciente familiar forçando-o a evoluir.

Isso porque sua rebeldia é terra fértil, sua sensibilidade é água que nutre, sua mente aberta é o novo ar e sua paixão é o fogo que vem purificar, renovar e vivificar o coração dos ancestrais.

Essa tarefa não é leve. Essas pessoas atravessam incompreensões, rupturas, exclusão e até períodos de solidão. Mas é justamente nesse processo que elas forjam suas almas, se fortalecem e despertam sua luz. Uma luz capaz de iluminar todo o sistema familiar e às vezes até bem mais que isso.

As chamadas “ovelhas negras da família” são, na verdade, caçadoras natas de caminhos de libertação para si mesmas e para a árvore genealógica se tornando, muitas vezes, as pessoas mais dispostas e capazes de ajudar nos momentos de crise.

Por todas essas questões que essas almas precisam enfrentar, condições emocionais diversas podem se manifestar:

- sentimento de desconexão e de isolamento que pode gerar tristeza e até depressão.

- maneiras de manter distância dos outros para não sentir a dor da rejeição novamente.

- muita raiva e ressentimento por ter sido tratado de forma tão cruel e injusta.

Sugestão:

- não se intimide e nem se diminua diante das represálias. Os de visão curta não te compreendem e por isso não te aceitam. Ao longo do tempo vai ficando muito claro sua força, potenciais evolutivos, sua contribuição original, inovadora e útil.

- valorize o poder, os dons e oportunidades de ser quem você é.

- cultive sua autoestima e fique firme na sua verdade mais essencial e profunda porque isso se chama empoderamento, e empoderar-se traz liberdade, autoconfiança, alegria e leveza

- por ser diferente, há maior possibilidade de querer se aventurar, descobrir novos lugares, pessoas e ampliar sua visão de mundo e seu espaço interior.

- perceba que a dor de ter sido rejeitado e excluído gerou empatia para com aqueles que de um modo ou de outro vivem a exclusão.

Exemplos de ovelhas negras em estórias infantis e em filmes:

O Patinho Feio e A Pequena Vendedora de Fósforos (Hans Christian Andersen), Simba em o Rei Leão, Harry Potter, Malévola. E é claro, a Rita Lee!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

QI Quociente de Inteligência e QE Quociente Emocional

 


QI, ou Quociente de Inteligência, está associado a tarefas intelectuais, como cálculos matemáticos, raciocínio lógico, poder de análise e ao desenvolvimento e a assimilação de conhecimentos teóricos. É uma medida da capacidade de um indivíduo de aprender e entender informações novas, sendo geralmente avaliado através de testes padronizados.  Refere-se à capacidade mental de um indivíduo de entender, aprender e aplicar conhecimento.

Por outro lado QE ou Quociente Emocional envolve a habilidade de perceber, controlar e avaliar emoções, tanto as próprias quanto as de outras pessoas. Isso inclui a capacidade de empatia, comunicação eficaz, ser flexível e aptidão para formar relacionamentos saudáveis. Um alto QE permite que uma pessoa navegue melhor em situações sociais e compreenda as emoções nas interações diárias ajudando-a a tomar decisões, melhorar a comunicação, os relacionamentos interpessoais, o autoconhecimento, a autoestima e a autoconfiança porque favorece o bem-estar para si mesmo e para os outros.

Alguns pilares da Inteligência Emocional são:

- Autoconsciência: capacidade de identificar as próprias emoções e sentimentos, e o que os causa.

- Autorregulação: habilidade de lidar com as próprias emoções e impulsos.

- Automotivação: capacidade de se motivar e se manter motivado para definir e atingir metas e melhorar para crescer como pessoa.

- Empatia: compreender as outras pessoas mesmo quando suas opiniões, experiências e emoções são muito diferentes das suas.

- Habilidades sociais: habilidades envolvidas nas relações sociais, como em conversas informais, ambiente de trabalho e criação de vínculos saudáveis.

Como desenvolver a inteligência emocional

- Praticar a escuta ativa

Isso significa escutar com atenção o que a outra pessoa diz com a intenção de entender o que ela está querendo dizer de fato, sem ficar fixado no próprio ponto de vista. Isso implica em deixar a outra pessoa se expressar sem interrupções para facilitar a comunicação para criar um relacionamento de mais confiança e aceitação. Além disso, controlar as distrações externas e internas também ajuda a melhorar a escuta ativa.

- Reconhecer as próprias emoções

Reconhecer as próprias emoções e nomeá-las ajuda a equilibrar as reações, evitando os impulsos disfuncionais. Em casos de reações, avaliar se foi justificável ou se esconde outros sentimentos como medo do fracasso, de julgamentos, inflexibilidade, ressentimento ou outros. É fundamental reconhecer as próprias emoções, pensamentos e sentimentos, caso contrário você fica no “piloto automático”.

- Aprender a lidar com emoções desconfortáveis

Desenvolver Inteligência Emocional é autoconhecimento, o que implica em saber lidar com emoções desconfortáveis com resiliência, considerando-as como algo normal e às vezes útil, ao invés de ignorá-las ou reprimi-las. Compreender as emoções negativas como parte da vida ajuda a lidar com os sentimentos de forma produtiva, aumentando a autoconsciência e a capacidade de adotar mudanças positivas quando necessário.

- Gerenciar o estresse e ansiedade

Praticar atividades como meditação, yoga, respiração, algum tipo de exercício físico, ter alguma atividade prazerosa, ajuda a gerenciar o estresse e a ansiedade favorecendo no controle das emoções e aprendendo a usá-las de forma mais saudável.

- Cultivar a empatia

Cultivar a empatia é entender as emoções e perspectivas dos outros em determinadas situações. A empatia fortalece os relacionamentos e a capacidade de se conectar com as pessoas. Algumas dicas para cultivar a empatia são: reconhecer que os amigos, família e colegas de trabalho também têm as suas emoções e precisam aprender a lidar com elas;  não levar tudo para o pessoal entendendo que muitas vezes a atitude disfuncional de alguém na sua direção, na verdade não tem a ver com você de fato, ou seja, é um problema da pessoa não seu.

Desenvolver Inteligência Emocional não significa ser permissivo com os outros, submisso ou “levar desaforo para casa”, mas sim, compreender de modo mais apropriado  si mesmo, os outros, cada vínculo e cada situação para saber se posicionar de modo mais favorável para si mesmo e para o conjunto nas diferentes situações da vida.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O Que é Resiliência?

 


Resiliência é um termo originário da física, que se refere à capacidade de um material retornar à sua forma original após sofrer pressão ou impacto.

No contexto humano, essa ideia foi adaptada para descrever a habilidade de superar situações difíceis, aprendendo com elas e seguindo em frente. Pessoas resilientes não são imunes à dor, tristeza ou decepções. Elas sentem os impactos das adversidades, dores, medos, tristeza mas conseguem processar o que sentem e encontrar caminhos para se reerguer muitas vezes mais fortes do que antes.

Muita gente confunde resiliência com não sofrer, agir como se nada tivesse acontecido ou engolir tudo e seguir em frente, mas isso é simplesmente jogar tudo debaixo do tapete... Resiliência não é nada disso!

Tudo bem, mas como podemos chegar à resiliência de fato?

Desenvolver resiliência implica no processo de traduzirmos nossas dores, medos, apreensões e perdas em palavras, compreensão e sentido. Isso quer dizer que antes de mais nada, é preciso aceitar a dor. Aceitar a dor não é fraqueza é clareza, pois ela precisa ser reconhecida e compreendida e não negada. É muito importante entendê-la e muitas vezes chorar, lamentar, sentir raiva, perda, indignação, entender o porquê de termos vivido determinadas situações, o que nos levou a essas condições, os prós e os contras, enfim, tudo! 

Isso implica num processo de reflexão e de autoconhecimento profundamente terapêutico. 

Para desenvolver resiliência é imprescindível ampliar a compreensão de si mesmo, dos outros e das circunstâncias e nossa capacidade de nos tornarmos mais flexíveis diante de adversidades. Isso vai gerando mais prontidão e recursos para antecipar os problemas, mais capacidade de se posicionar para saber quando agir e quando aguardar diante das diferentes situações que vão se apresentando no decorrer das experiências, sofrer menos por antecipação, compreender que a incerteza é muitas vezes a única certeza, que tudo tem um grau de impermanência e que a vida é um grande processo de transformação de deixar ir e de deixar vir.

Resiliência é atravessar o sofrimento, se recuperar e voltar transformado e mais forte com o aprendizado do que foi enfrentado e devidamente processado. 

Algumas características de pessoas resilientes são:

- confiança nas próprias capacidades para resolver problemas e atingir metas, o que não significa o “sabe tudo”, mas sim a capacidade de mobilizar recursos pessoais e externos tais como informações, leituras e ajuda para equacionar questões.

- flexibilidade para se adaptar rapidamente a novas situações e mudar estratégias quando necessário.

- capacidade de compreender e respeitar a si mesmo e aos outros sem ser conivente com o que não serve, recorrendo à mais força ou a mais suavidade diante de cada necessidade.

- habilidade em gerenciar as próprias emoções especialmente em situações de pressão.

- habilidade de refletir e de aprender com experiências e erros do passado para evitar a repetição dos problemas. 

Pessoas resilientes não negam ou fantasiam a realidade, elas encaram a realidade e ressignificam. A resiliência é uma das qualidades mais poderosas que podemos desenvolver em nossas vidas. Não nascemos com essa capacidade apesar de que há pessoas com mais recursos internos para enfrentar vicissitudes do que outras, mas todos nós podemos desenvolver e aprimorar essa habilidade no decorrer da vida. 

Abraços terapêuticos!